Escreva a história que o “padrão” tentou apagar 

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Vivemos em uma sociedade profundamente estética, onde pessoas são pressionadas constantemente a corresponder a imagens idealizadas. Essa pressão afeta a autoimagem, fragiliza as relações e as torna cada vez mais superficiais. A disformia corporal deixou de ser exceção e passou a ser sintoma de uma cultura que transforma o corpo em projeto interminável. Nunca é bonito o suficiente. Nunca é jovem o suficiente. Nunca é adequado o bastante. Há quem já não consiga se ver sem filtros, sem maquiagem, sem procedimentos. E mesmo aqueles que se encaixam nos padrões sentem o peso de precisar mantê-los, porque o padrão não acolhe, ele cobra. 

Os padrões de beleza mudam, mas a lógica permanece. Hoje, a estética da chamada pele de porcelana, popularizada por referências da Coreia do Sul, reforça a busca por uniformidade: pele clara, lisa, sem marcas, quase sem história aparente. Em paralelo, cresce o número de intervenções estéticas precoces, como harmonizações e cirurgias plásticas. O resultado são rostos semelhantes, identidades diluídas, pessoas que, ao tentar se ajustar, acabam se afastando de si. 

Nesse contexto, termos como disformia corporal, racismo internalizado, embranquecimento, colorismo e etarismo deixam de ser conceitos distantes e tornam-se vivências diárias. Quando alguém aprende desde cedo que seus traços naturais precisam ser corrigidos, suavizados ou escondidos, a dor não é apenas estética, é existencial. Não se rejeita apenas o espelho, rejeita-se a própria essência. 

A escrita surge como caminho de reconhecimento e cura. Escrever um diário ou semanário sobre experiências, dores e percepções é um ato de preservação e resistência libertadora. No papel, não há filtro que sustente a negação. A escrita nomeia feridas, compreende pressões e resgata identidades fragmentadas. 

E quem sabe esse diário não se torne um livro? Uma autobiografia, um testemunho, uma travessia capaz de alcançar outros. Gerar um testemunho dói, mas pode curar alguém. Escreva a história que o “padrão” tentou apagar. Seja feliz! 

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Aliele Lorrane

Cristã, escritora e facilitadora. Chamada pelo Espírito Santo para tocar corações através da escrita com propósito. Cria histórias com sensibilidade e fé, que revelam o amor de Jesus de forma simples, profunda e transformadora. Convidando cada leitor a refletir sobre temas essenciais e aplicá-los em sua própria vida. @alielelorrane

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